comportamento decartaparacarta

Santidade: Muito além do que pensamos

17:16Ghiovana Christini



O problema não está simplesmente no que nós fazemos. E, antes que você tente deduzir do que se trata esse texto, eu te antecipo: Não, o problema também não está no que deixamos de fazer. 

Temos vivido em uma geração que tem reduzido a santidade a estes dois conceitos: Parar de fazer coisas "erradas". Ou, começar a fazer coisas vistas como "certas". Ambos, válidos e necessários. Mas, hoje, eu te trago uma verdade que talvez lhe seja chocante: Você pode adotar as duas coisas, e mesmo assim não agradar a Deus. 

Meu pastor sempre diz algo que nesse momento cabe como uma luva: "O problema é que olhamos com olhos físicos e carnais pra coisas que são espirituais, e devem ser discernidas espiritualmente."
O problema é que vivemos baseados apenas no que vemos. O problema é que esquecemos de fazer as perguntas certas aos nossos verbos.

Estamos muito preocupados em aplicar aos nossos "Eu faço." a pergunta "o que?
Quando, na verdade, as perguntas que trarão respostas que mudarão a nossa vida são "por que?" e "pra quem?"

Muito mais profundo do que o que fazemos ou deixamos de fazer: O problema está nos porquês. 



Quais são as suas intenções? Por que você faz o que faz? Por que você deixa de fazer o que deixa de fazer? Por que você diz o que diz? Por que você obedece o que obedece? Por que? 

Essa pergunta é a arma mais poderosa para salvar a si mesmo de ser corrompido. Fiscalizar as nossas intenções nos ajudam a manter o nosso coração puro e nos livra de obras e obediências vazias e sem valor algum pra Deus. 

Quando Jesus ministrou isso ao meu coração, Ele me levou a 1 Coríntios 13:3: 

"Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá."

Lendo isso, eu comecei a me questionar: Como alguém pode dar tudo o que tem pros pobres e não ter amor? Por que alguém faria isso? 
Jesus prontamente me respondeu: "É simples, e existem vários exemplos a sua volta o tempo todo. Você pode dar ao pobre pra postar no facebook uma foto dando ao pobre. Você pode dar ao pobre para dizer aos outros o quão bom você é por dar ao pobre. Você pode dar ao pobre para satisfazer a sua mentalidade de que fazer algo bom lhe justifica ou lhe torna bom. Você pode fazer isso por inúmeros motivos, mas não amá-lo em momento algum. "

Essa verdade mudou a minha vida. Tanto ao pensar em boas obras (fazer), como ao pensar em obediência e renúncia (deixar de fazer). 
Se não houver amor a Deus e o desejo de agradá-lo naquilo que eu faço, eu farei para agradar as pessoas, agradar a mim mesma, ou, pior ainda, agradar as pessoas para que elas se agradem de mim. 
Se não houver amor no que eu deixo de fazer, eu farei simplesmente por uma mentalidade religiosa e legalista, que me leva a cumprir as coisas como regras por mera obrigação que livre minha consciência de culpa ou acusação própria e me livre do meu medo de ir para o inferno. 

O amor não é religioso. O amor não gera medo. O amor não é egoísta. O amor não é bajulador. 

Eu posso ser a pessoa mais ativa em ajudar e fazer "coisas boas" na minha casa, igreja, ou comunidade, mas ainda assim ser reprovável diante de Deus, porque Ele se preocupa muito mais com o que há em nosso coração do que com as obras de nossas mãos. 

Jesus disse em Mateus 5:27-28

"Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo, que qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, em seu coração, já cometeu adultério com ela."

O pecado nasce em nosso coração. Ele nasce no mundo espiritual, invisível, nas nossas intenções, antes mesmo de ser materializado. 

"Todos os caminhos do homem lhe parecem justos, mas o Senhor pesa o coração." (Provérbios 21:2)


Diferentemente das medidas usadas pelos homens para nos medir, por aquilo que veem, somos julgados por Deus por aquilo que só Ele vê, que revela de fato quem somos.

Isso me levou lá pra uma história que você deve conhecer muito bem: Caim e Abel. Preste atenção nisso:

"Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso, Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou. O Senhor disse a Caim: 'Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo'. " (Gênesis 4:3-7)

Você já se perguntou por que Deus aceitou a oferta de Abel e não aceitou a de Caim? Não eram as duas algo aparentemente bom? Não eram ambas uma oferta a Ele? A resposta está no que podemos ver através da reação de Caim ao não ser aceito. 
A bíblia diz que ao ter sua oferta rejeitada, Caim se enfureceu. Ou seja, ele revelou o que possuía em seu coração, que Deus já havia visto antes mesmo de ser exteriorizado, e, por isso, o rejeitou.  

Deus não aceitou a oferta de Abel em vez da de Caim porque gostava mais das crias do rebanho dele. Deus não se agrada da oferta pelo que é ofertado, mas pela intenção que há no coração por trás de quem oferta, como aconteceu com a viúva que ofertou duas simples moedinhas lá em Marcos 12:42. Deus não estava preocupado com as moedas, mas com o coração disposto a entregar o que era aparentemente pouco, mas tudo que ela tinha. 

Que essa verdade revelada possa mudar a sua vida, sua conduta, e, acima de tudo, os motivos dela. Pergunte a si mesmo todos os dias por que você faz o que está fazendo. E, o ainda mais importante: Pra quem. 

Tudo o que fazemos deve ser dotado de amor, e para Deus, visando alegrar Seu coração e exaltar o Seu nome. 

A santidade não se baseia no que fazemos ou deixamos de fazer. A santidade não mora em obras ou em renúncias. A santidade mora num coração que faz tanto uma, como a outra, pelos motivos certos e para os olhos certos. 

Que o olhar de Jesus seja sua única plateia. E que o sorriso Dele seja sua única intenção. 


Em Cristo,
Ghiovana Christini. 


Talvez Você Goste Também

1 comentários

Posts Populares

Contato