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Sobre "adaptar-se"

18:19Ghiovana Christini



Nessas férias eu viajei e abandonei um pouco tudo. A vida na cidadezinha pequena que sempre que eu digo o nome, ninguém nunca ouviu falar. Os compromissos que me esperavam em casa assim que eu pousasse (inclusive o blog, que ficou sem texto algum durante todo o meu período 'retirada', me desculpem). Até meu vocabulário cedeu um pouco de espaço e se rendeu às gírias paulistas. Aliás, "mano do céu", eu curti demais. 

Passei semanas incríveis na capital paulista, o coração do Brasil. Estava me adaptando ao café nosso de cada dia. Ao metrô apertado. Ao barulho urbano. Aos prédios enormes que se estendiam por todo o alcance da minha visão. A garoa de todo fim de tarde que me ensinou a nunca sair de casa sem pelo menos um casaco pra colocar na cabeça. 

Voltei pra casa. Readaptar-me ao silêncio. Às idas aos lugares que demoram menos tempo que a música favorita que passa no rádio do carro. Nem dá tempo de dançar. Quase ninguém toma café. Só solúvel. Só tem um prédio alto mesmo, e nem dá pra ver ele de onde eu moro. Choques de realidade. Um sol do caramba. Recomeçar. 

Eu não odeio a minha cidade, nem nada. Ela é muito boa para se viver e um ótimo refúgio pra quem busca sossego. Mas, é singular de cada um sentir-se que está no lugar que deveria estar. E a questão é exatamente essa: nem sempre estamos. São fases e momentos da vida pelos quais precisamos passar, e a resposta pra isso é "adaptar-se".

Foi o que eu fiz quando mudei de casa no final do ano passado também. E, pra falar a verdade, essa era a terceira lição que eu queria compartilhar baseado no que aprendi.

Na casa antiga a gente entrava e dava de cara com a sala. Nessa, é com a cozinha. Pra ir no banheiro no meio da noite, sonambulando, tropeçando, tinha que virar à direita. Agora, é à esquerda. Já era esforço pra dedéu me concentrar em desviar das quinas no escuro. Imagina agora que, ainda por cima, eu preciso lembrar que é pra esquerda. Ganhei uns hematomas novos.

Eu tinha um quarto lindo na casa antiga. Quando cheguei nessa casa, o meu quarto era horrível. Mas, hoje, eu já tenho mais um quarto lindo, porque eu o fiz ser. Eu pintei as paredes. Pendurei quadros. Me encaixei, de novo. E é isso. 

Nesse mundo a gente precisa ser um pouco de tudo. Um pouco gente. Um pouco ferro. Um pouco camaleão. É tudo questão de adaptar-se. Recolocar-se. Viver requer essa habilidade.

Às vezes, você precisa estar em um lugar que não gostaria de estar. Mas precisa. Às vezes, você perde alguém que fazia parte da sua rotina, e precisa aprender a viver sem. Você não queria, mas, precisa. Ou, você se casa e, agora, precisa se adaptar em dividir a cama e revezar quem vai escolher a programação do fim de semana. É uma nova fase. Precisa. 

Como já disse meu amigo Paulo:

"[...] Aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade..." (Filipenses 4:11-12)

Precisamos aprender a nos adaptar. Não no sentido de acomodar-se ou deixar-se influenciar, negociar princípios ou encaixotar-se em uma zona de conforto ou padrão medíocre. Mas, sim, de sermos flexíveis, nos permitirmos, nos reinventarmos. É a velha história daquele termo chamado "resiliência". É o tapete que a gente pisa e esmaga, e depois se levanta e volta ao normal. 

É aprender a sermos o melhor de nós mesmos. Ou uma nova versão, quem sabe? Em qualquer lugar. Em qualquer situação. Em qualquer desafio. Em qualquer casa. Em qualquer cidade. Com a mesma essência, ou uma mais madura, estranha, desconhecida. Mas, ampla para ser descoberta e moldada pelo nosso Pai. O que nos impede?

Não é feio mudar de ideia, de gosto, de opinião. Feio é nunca se permitir pensar de novo. Olhar por outro ângulo. Tentar algo diferente. Ceder. Se deixar ser quebrado pra ser refeito, com um molde novo. 

"[...] E desci à casa do oleiro e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas. Como o vaso que ele fazia, de barro, quebrou-se nas mãos do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Não poderei fazer eu de vós como fez este oleiro? Eis que, como o barro nas mãos do oleiro, sois  vós nas minhas mãos."  (Jeremias  18:3-6)

Somos vasos nas mãos de um oleiro que nos transforma todos os dias, de glória em glória. E precisamos aprender a nos adaptar a cada etapa e situação pelas quais é necessário passar para sermos moldados. 

Quando firmamos nossa identidade e nosso sustento Nele e no Seu amor que vive em nós,  desenvolvemos força para nos adaptar a qualquer circunstância externa que seja, porque não dependemos delas para sermos felizes: Nós já somos. 

Uma árvore bem enraizada pode passar por estações de galhos secos e infrutíferos, mas ela não se abala. Ela se adapta e sobrevive, até florir de novo. 

Que sejamos.

De quem provavelmente te enganou, mas um dia, vai sim, morar no lugar da foto,
Ghiovana Christini.

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