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As malas que deixamos para trás

16:12Ghiovana Christini



Se tem uma coisa que eu aprendi sobre o Espírito Santo, ao longo de toda a minha caminhada cristã, é que Ele usa de tudo a nossa volta para nos inspirar e ensinar o tempo todo, tornando significativas as coisas que, aos olhos espirituais desatentos, normalmente, não teriam importância ou profundidade.

Há poucos dias, Ele me ensinou uma lição preciosa, usando um acontecimento não tão agradável assim.

Viajei pra São Paulo no início do mês. O tempo voou, e depois de onze dias incríveis, as férias acabaram e chegou a hora de voltar pra casa. Meu voo estava marcado para às 16h38, com embarque programado para às 16h08, saindo de Campinas. Mas, perdi o horário, e acabei chegando no aeroporto às 16h05.

Eu corri o mais rápido que pude, mas, quando cheguei no guichê pra despachar minha mala, ouvi da atendente o que eu não queria ouvir, da forma mais seca e inegociável possível:

- Não dá mais tempo, já encerramos os despachos. Mas, você, pode correr e tentar pegar o voo, se quiser.

Traduzindo: Ou a mala ficava, ou, ficávamos nós duas.

Eu já estava atrasada e não tinha muito tempo para pensar, então, tive de decidir. 
Deixei minha mala em São Paulo, e depois de correr duas vezes de um lado do aeroporto para outro em menos de cinco minutos em busca do meu portão de embarque, uma van da companhia aérea me buscou e levou até o avião, que estava apenas esperando por mim para decolar.

Lá estava eu, voltando para casa, sem a minha mala, com o coração acelerado, uma porção de adrenalina liberada, uma história pra contar e a busca de uma lição para aprender e transmitir. E foi aí que Ele começou a ministrar no meu coração, me trazendo a passagem de Hebreus 12:1:

"Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta..."

Em sua palavra, Cristo nos convida a nos desprender de todo peso e seguir a carreira que nos foi proposta. E, para isso, muitas vezes, algumas coisas terão de ficar para trás. Somos convidados a crescer e mudar a rota, e nem sempre dá pra levar bagagem. Nem sempre dá tempo. Nem sempre cabe tudo.

A gente se muda e o sofá antigo enorme da antiga casa já não cabe na sala de estar do apartamento novo. A gente muda de cidade e não dá pra levar o bairro antigo junto. O emprego. O mercadinho da esquina que a gente tanto gostava de comprar. Abre-se mão.

Ganha-se um cargo excelente no Japão enquanto comprava um terreno em Nova Jersey e pensava em casar. Casa-se e o outro é alérgico ao pelo do tapete que tanto queria estender ao lado da cama. Abre-se mão.

Aceita-se a Cristo e as malas de orgulho e vaidade cheias de si mesmo já não passam pelo caminho estreito. Envolve-se pela graça e arrependimento e a mala de pecados domesticados já não pode seguir viagem. 
Recebe-se uma missão, e a empresa que consumia 8h diárias já não encaixa na rotina. 
Descobre-se um propósito, e as futilidades já não podem mais ser carregadas sobre rodinhas. 
Abre-se mão. Renuncia-se.


Foi o que Jesus disse a Simão e André:
“Vinde em minha companhia, e Eu vos tornarei pescadores de homens”(Marcos 1:23)
que fez com que, no versículo seguinte, eles abandonassem suas redes e o seguissem. 

Foi o que Ele declarou firmemente ao escriba que desejava segui-lo em Mateus 8:19:
"Segue-me, e deixe que os mortos sepultem os seus mortos." (Mateus 8:22)

Foi o que Ele respondeu ao jovem rico quando questionado acerca do que lhe faltava:
"Vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me." (Mateus 19:21)

E é o que Ele tem nos ensinado e oferecido até hoje.
É o que na economia chamamos de trade-off. É o que na vida chamamos de escolhas. É o que no cristianismo, chamamos de renúncia. 

O "Vem, e segue-me" de Cristo é sempre precedido por um "Vai, e deixa o que tens". Pois quanto mais fundo mergulhamos e quanto mais alto voamos, menos coisas, e pessoas, podemos levar conosco. E sempre que desejarmos receber algo novo em nossas mãos, primeiramente, precisaremos largar o que já estamos segurando. 

Deixa-se para trás a primeira pessoa do singular para receber a terceira, e colocá-la em primeiro lugar. 
Deixa-se para trás a nossa vontade, para receber e cumprir a Dele.
Deixa-se para trás todas as malas e bagagens que já não fazem parte de quem Ele quer que sejamos, e do que Ele quer que façamos.
Deixa-se todo o peso do velho homem, e embarca-se despido de si mesmo para um lugar onde o jugo é suave e o fardo é leve. 
Abre-se mão. Renuncia-se.
Essa é a carreira proposta. E esta é a lição:

Cristo tem nos convidado para grandes voos. Mas, apenas os dispostos a deixarem para trás o que for preciso, estarão aptos para decolar.

Ladys and gentlemans, última chamada: 
Todos a bordo...
Você vem? 

Em Cristo,
Ghiovana Christini.





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