amor comportamento

Não é você, sou eu

16:52Ghiovana Christini


Semana passada eu estava assistindo uma série norte americana e, em um dos episódios, o personagem, que não aguentava mais o relacionamento em que tinha se "enfiado", decidiu finalmente dar um fim à história, usando a frase clichê que todos nós conhecemos tão bem: "Não é você, sou eu."

O episódio acabou. Eu desliguei a televisão e fui deitar para dormir, mas, aquela frase, tão boba e ridicularizada, não saia da minha cabeça. Foi então que eu pensei: Talvez não seja a frase que esteja errada, mas, o seu uso.

"Como assim, Ghiovana?"
Eu explico.

Essas cinco palavrinhas tem sido usadas para "justificar" o fim de incontáveis relacionamentos, namoros e até mesmo casamentos, ao redor de todo o mundo. Mas, eu percebi que, se aprendêssemos a utilizá-las da maneira correta, elas poderiam ser a solução para salvar os mesmos.

Se aprendêssemos a olhar para quem está ao nosso lado e pensar: Não é você, sou eu. Não é você - ou, pelo menos, não só - que precisa mudar, sou eu, também. Não é você, que precisa carregar sozinho esse peso, sou eu, que preciso ajudar. Não é você, o culpado de tudo, sou eu, juntamente. Não é você, que eu preciso ficar esperando que tome uma atitude pra mudar essa história, sou eu. Por que não?

Passamos relacionamentos inteiros culpando o outro, atirando o peso, a culpa, a responsabilidade, pra cima do outro, pra depois, no fim de tudo, dizer que não tem a ver com ele. Mas, e aí, antes, tinha? E antes, "era você", ou "era eu"? Quem dera entendêssemos desde o início que o nosso tão protegido "eu" sempre tem parcela em tudo. Seja pra melhoria, ou pra ruína.

O problema é a nossa mania de sempre lidarmos com as mudanças como uma batata quente, que precisa ser atirada pra qualquer mão, menos as nossas. O problema são os corações inflexíveis dominados pelo orgulho e vaidade, que se recusam a abandonar a sua zona de conforto e dar o primeiro passo. O problema é o ego inegociável que prefere se arriscar a perder pessoas, do que perder a pose e a razão. 

A questão é que relacionamento exige doação. Vivemos em uma geração onde todos esperam ser servidos e saciados, mas ninguém se coloca no lugar de servir. Fazemos listinhas com coisas que esperamos do outro, e esquecemos de fazer uma com aquilo que precisamos fazer. Todos estão a busca de alguém que preencha "sua vaga", mas ninguém quer ser quem se qualifica pra preencher a vaga de outrem. E aí, "como faz?" Como é que se resolve o X da questão?

É simples. Entenda: A única pessoa que você pode mudar, é a si mesmo. O que vai gerar mudança em outra pessoa, é o seu exemplo. Seu papel não é mudar as pessoas, esse papel é do Espírito Santo. O seu papel é amá-las, e orar por elas. 

Se todos nós pensássemos dessa forma, ninguém precisaria cobrar nada do outro. Mas, sempre caímos no gigantesco erro de achar que nós nunca somos o problema. De que não somos nós que precisamos agir. De que não somos nós que precisamos mudar. E, muitas vezes, quando tentamos, e não recebemos resultados imediatos, desistimos, por não entender que amar, em sua essência, é doar-se, sem esperar receber em troca.

Aprendi isso em meio a tantas características sobre o amor que li em 1 Coríntios 13:

"[...] O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses...
Touché!

Quando entendemos esse princípio, percebemos que amar alguém, não é sobre a sua recompensa. Não é sobre satisfazer as suas vontades. É sobre buscar os interesses de quem você ama! É sobre fazer feliz!

O amor é o único sentimento capaz de fazer o ser humano tirar os olhos do seu próprio umbigo, e é por isso que ele não coabita com o orgulho. Onde um vence, o outro tem de se retirar. 

Se você está em um relacionamento, pense: Quanto tempo você gasta tentando mudar o seu namorado (a)/ esposo(a)? E, quanto, desse tempo, usa para buscar mudar a si mesmo? A resposta pode ser surpreendente. 

Se você está solteiro (a), igualmente, reflita: Quanto tempo você gasta pensando no que espera de alguém? E, quanto desse tempo, investe em você, no seu crescimento e melhoria, pra que quando este "alguém" chegar, você possa o fazer feliz? 

Às vezes, encontramos as respostas que precisávamos pelo simples fato de aprendermos a fazer as perguntas certas. 

O melhor presente que você pode dar pra quem vive - ou viverá - ao seu lado, é investir em você. 
É clichê, eu sei, mas é a mais pura verdade. Tudo muda, quando você muda. E a sua mudança, acompanhada de amor, paciência, e oração, são as respostas para a pergunta mais errônea, mas que, talvez, seja a mais feita a terapeutas de casais nos dias de hoje: 
"Como eu posso mudar meu cônjuge?"

A própria bíblia nos dá uma revelação preciosa quando Paulo fala acerca do casamento: 

"O marido descrente é santificado por meio da mulher, e a mulher descrente é santificada por meio do marido." (1 Coríntios 7:14)

Sua santidade influencia quem está do seu lado! Sua conduta pode transformar a conduta de quem convive com você! Mas, pense: Como poderei ser usada para santificar o meu marido, se eu não busco santificar-me? Em outras palavras: Como poderei ajudá-lo a mudar, se eu não mudar primeiro? 

Tudo começa com você. Tome sua posição, assuma sua responsabilidade.  Um relacionamento fracassado nunca é culpa apenas de um. A culpa é sempre uma dívida de duas parcelas. Assim como o amor. Assim como o respeito. Assim como a dedicação. Não adianta, os dois tem que pagar.

Se fim de relacionamento é divisão de bens, relacionamento, em si, é divisão de dívidas. E a maior delas, é a de buscar fazer o outro mais feliz.

Você tem pago as suas parcelas em dia?
Não as deixe caducar. Não deixe o amor prescrever.

Pague o preço: Ame à vista. 

O problema é você, a solução... Também. 



De quem tem buscado assumir as suas parcelas,

Ghiovana Christini.

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1 comentários

  1. Ótimo texto, bem claro, assertivo! Me identifico cm seus pensamentos...continue nessa sua força!😉

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