Ghiovana lições

Sobre o vestido que muda, e o ponto de vista que não.

09:11Ghiovana Christini




Eu tiro lição de vida de tudo que eu vejo. É incrível. Minha mente não sossega. Deve ter algum comando automático que transforma cotidiano em reflexão. E, hoje, não foi diferente. Vi esse vestido polêmico pela primeira vez ontem. Eu só enxergava branco e dourado. Fiquei pensando ser mais uma daquelas piadas que não funcionam e só fazem a gente perder o nosso tempo. Desisti de olhar e fui dormir.

Hoje, acordei e o facebook estava sendo bombardeado com essa imagem. Mas, adivinha? Eu vi preto com azul, e já não conseguia mais ver branco. Mais tarde, cruzei com a imagem de novo, e vi branco com dourado, e depois preto com azul e, até dar pane no sistema, segui revezando o meu ponto de vista entre as duas possibilidades que estão sacaneando geral.

Agora, eu olho pro vestido e consigo enxergar as duas opções. Ora, vejo branco com dourado, ora vejo preto com azul. "Legal, Ghiovana, adorei esse post, a forma como você vê o vestido mudou minha vida!"  Não se trata mais do vestido, se trata de relatividade. Se trata de flexibilidade.

Talvez, a forma como eu veja esse vestido, não seja a mesma que você vê. A vida é assim. Talvez, você enxergue preto e eu enxergue branco. E, talvez, o preto que você vê, eu não consiga perceber nem virando a imagem de cabeça pra baixo. Mas, o branco que eu vejo, você também não consegue.

A questão é que, na maioria das vezes, nem tudo é 8 ou 80. O que é pra mim, pode não ser pro outro. E, se eu não for flexível, talvez nunca enxergue do ponto de vista dele, e vice-versa. Não adianta eu teimar que as coisas são como eu vejo, se o outro, simplesmente - por sabe-se lá que motivo - não vê a mesma coisa.

Não adianta eu bater o pé defendendo que só existe uma forma de ver as coisas. É tudo questão de ponto de vista. Eu posso encarar as coisas de uma forma hoje e, amanhã, descobrir uma forma nova e muito melhor que me faça até mesmo ser incapaz de voltar a encará-las como antigamente. Eu posso - e preciso - saber que, às vezes, as pessoas precisam ser repreendidas e, às vezes, só ouvidas e compreendidas. Eu posso - e preciso - saber a hora de ser firme, ou flexível. É preciso ter discernimento de que, cada caso é um caso e, nem sempre, a solução que resolveu o meu problema vai ser a mesma que vai resolver o do outro, ainda que o problema seja o mesmo.

Nossa visão é limitada e, geralmente, as coisas vão além do que a gente vê. Talvez, eu caminhe distraído com um buraco bem na minha frente, onde vou cair. Mas, se, alguém bem do meu lado, for capaz de enxergar o buraco que eu não vejo e me alertar, eu não caia, se der ouvidos.

O problema é que, na maioria das vezes, estamos tão acomodados e acostumados a olhar para as coisas apenas de uma forma. Geralmente, com pensamentos pequenos e inegociáveis. Talvez, estejamos presos naquele velho dilema do copo onde é despejada certa quantidade de água, de forma a não completá-lo. Alguns, dirão que o copo está quase vazio. Outros, dirão que está quase cheio.

Tudo depende do ponto de vista, meu bem. Tudo depende de como você enxerga. E, se não enxerga, pelo menos, do quanto está disposto a aceitar que o que os outros enxergam pode ser diferente. E, talvez, o correto não seja você. Mudar o ponto de vista consiste em quebra de orgulho.
Porque, às vezes, é preciso ceder e reconhecer que somos limitados. Às vezes, por mais que você se esforce, você simplesmente não pode ver o que o outro vê. A visão do outro é dele. E de mais ninguém. E você precisa aprender a administrar bem a sua. E fazer o melhor que puder com ela. Reconhecendo que, ainda que ninguém mais veja o que você vê, você tem a graça de conseguir, e é isso o que importa.

Eu não sei qual é a verdadeira cor do raio desse vestido, mas eu tô feliz. Em um mundo tão 8 ou 80, eu fico feliz em admitir que, às vezes, é 50. É 60. É 70. Em um mundo onde ninguém aceita ter seu ponto de vista contrariado, ser flexível é o que há. Branco ou preto? Eu não sei. Feliz de quem enxerga os dois. 

Com amor, de quem poetiza tudo (ou é louca mesmo, dependendo do ponto de vista),

Ghiovana Christini.

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