amor fatos reais

Sobre o casal da Avenida

13:53Ghiovana Christini


Eu faço faculdade à noite. Sempre que volto pra casa, lá por umas 22h, passo pela mesma rua e vejo o mesmo casal, em frente a uma casa. Ele escorado na moto, ela pendurada no pescoço dele. Toda noite. Faça frio ou calor, chuva ou brisa. Eu já passo por lá olhando para o lado, esperando ver a mesma cena que eu vejo, todos os dias. E eu não sei porque eu quis escrever um texto sobre eles, mas eu quis.

Nunca consegui ver ao certo seus rostos, pois geralmente estão abraçados, ou olhando um pro outro e rindo de uma forma tão natural que eu nem sei decifrar. Só sei que ela é loira e provavelmente, mora naquela rua, naquela casa, naquela quadra que me inspira amor toda noite e ela nem imagina, nem ele. Sobre ele, só sei que tem uma moto e muita disposição.

Perguntei-me por várias vezes "Por que ali? Por que na rua?", em diversos dias frios por que eu passei por ali ansiando chegar em casa para correr para debaixo das cobertas, enquanto os dois, pareciam nem se importar com o clima. Um abraço é sempre quente - pensei. Conclui que os vejo sempre na despedida. Fiquei imaginando o roteiro.

Ela vai se despedir dele, que sempre fica um pouco mais. Ali mesmo. Pra todo mundo ver. Porque o que é bonito é pra ser mostrado - não falo daqueles casais que ficam trocando saliva como se não houvesse amanhã em locais públicos - mas dos gestos sutis de amor. Como ficar ali no frio, escoradinho na moto, abraçado, por exemplo. Como querer ficar sempre um pouco mais. E mais. E junto. Porque acho que isso, também é amor. Dar tchau umas dez vezes e ficar sempre um pouco mais. Tentar deixar o outro e ficar sempre um pouco mais. Ir embora, por vezes, mas voltar, e ficar sempre um pouco mais, até nunca mais precisar ir.

Acho que, no fundo, entre todo esse show business que virou o amor, a gente só procura por isso. Alguém pra abraçar a gente. E ficar. Dia após dia. Verão, Outono, Inverno e Primavera. As estações fazem parte da vida. São as circunstâncias, as dificuldades, o telefone desligado na cara. O "alô" pedindo desculpas. Mas o amor, ah, o amor é aquele casaquinho de lã favorito com o cheiro da gente que a gente não troca por nenhum outro. É o calor que aquece a alma. O abraço que protege do frio do mundo, dos outros, da dor. É a flor regada a dois que nunca morre. É o casal abraçadinho na rua, toda noite.

Talvez eu tenha escrito sobre eles, porque, às vezes, mesmo convivendo com tantas pessoas diariamente, por momentos, é um dos maiores exemplos que eu vejo de amor, no meu dia. E que me faz pensar que, por trás de todo exagero e enfeite da ganância, a gente só quer alguém pra pendurar no pescoço e esquecer do mundo. Dos carros que passam a toda velocidade voltando da faculdade. Dos ônibus lotados de pessoas vazias. Do medo do escuro, da noite, da vida. A gente só quer alguém pra levar até a porta e ficar um pouco mais. E sempre. E pra sempre.

Vou pra faculdade hoje. Tenho aula de uma matéria que eu adoro. Mas a minha parte favorita do dia, sem dúvida alguma, será passar por aquela avenida, com a certeza do que eu vou ver, na sua mais viva e simplificada forma: Amor. 

Com amor,





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